Este texto descreve as etapas mais específicas da fabricação de um escudo com figuras de alto-relevo produzidas em gesso. Trata-se de uma reconstrução plausível do escudo de São Luís (Luís IX), Rei da França, baseada em ilustrações de manuscritos medievais e estudos artísticos modernos.


© Bibliothèque Nationale de France/Gallica
© Dan Escott · Look and Learn
A flor-de-lis foi reproduzida segundo o contexto histórico, tomando como referência as que adornam os pilares da Sainte-Chapelle, em Paris. Por se tratar de um elemento que se repete em todo o campo do brasão, uma primeira peça foi esculpida manualmente, a partir da qual foram confeccionados moldes de silicone, permitindo assim a produção de várias cópias.


© Kristin Cashore

Foram testados diversos tipos de gesso. Algumas variedades encolheram significativamente durante a secagem, causando distorções e alterações nas dimensões das peças. Constatou-se que certos gessos odontológicos se deterioram facilmente e são difíceis de armazenar: as primeiras flores moldadas com esses materiais tinham boa dureza, mas, à medida que novas peças eram produzidas com o mesmo lote, tornavam-se cada vez mais frágeis, esfarelando-se facilmente sob a pressão dos dedos.
Optou-se então por um estuque de uso na construção civil, que ofereceu a melhor combinação de resistência e estabilidade. As flores moldadas com esse material não sofreram retração significativa e resistiram bem ao desmolde, embora este ainda tenha exigido certo cuidado. As bases das pétalas foram as partes mais suscetíveis a se quebrarem.
Os moldes de silicone foram posicionados no verso de outro escudo com as mesmas dimensões, de modo que as flores adquirissem a curvatura correspondente às posições que ocupariam. O encaixe não foi perfeito, mas foi suficiente para o propósito. Cada cópia levou cerca de três dias para secar completamente.


As flores foram fixadas com cola epóxi em seus respectivos lugares, e os pequenos vãos entre elas e a superfície do escudo foram preenchidos com massa acrílica. Em alguns pontos, as peças foram “sangradas”, ou seja, truncadas pelas margens do escudo, característica representativa dos campos “semeados” na heráldica. Concluída a montagem, toda a face frontal recebeu uma camada de goma-laca indiana para impermeabilização.




Então, cada flor recebeu uma camada de verniz mordente, foi revestida com folha de ouro imitação e, em seguida, coberta com verniz brilhante para proteção. O excesso de ouro aderido à superfície do escudo foi cuidadosamente raspado com um canivete fino. Por fim, com a aplicação das tintas, o brasão chegou à sua forma completa e reconhecível.











