
Brasão de Sua Reverendíssima,
o Pe. Lucas Casimiro Tibincoski Teixeira
executado por Rodrigo Athanilio dos Santos
Armas: De prata, uma estrela com sete pontas de azul carregada de um chi-rho de ouro, canto de vermelho carregado de um prato de prata, carregado da cabeça de São João Batista, guardante e de sua cor. Lema: ILLUM OPORTET CRESCERE.
Arms: Parted per chevron, first Argent a mullet of seven points Azure charged with a chi-rho Or, second Gules a platter Argent charged with St. John the Baptist’s head gardant proper. Motto: ILLUM OPORTET CRESCERE.
Esse brasão é uma forma alegórica de se representar o lema sacerdotal de Pe. Lucas.
O campo tem a cor branca (prata) por uma questão de sobriedade. O branco faz as vezes de cor neutra, tal como o espaço vazio em uma tela de pintura ou folha de papel é branco. Com efeito, a prata também é cor neutra na heráldica, sendo usada para representar o campo vazio. Essa austeridade visual representa a humildade na vida espiritual, na qual alguém se esvazia de si mesmo para ser preenchido por Cristo.
A estrela de sete pontas representa a Virgem Maria sob o título de Estrela da Manhã. No mundo natural, a estrela matutina é o planeta Vênus. Sendo um dos astros mais brilhantes do céu, ele continua visível até pouco antes da alvorada. Por causa disso, desde os tempos antigos, Vênus é um ponto de referência importante para a medição do tempo e para a navegação. Com efeito, o astro simboliza o papel da Virgem Santíssima como a referência principal, a guia no caminho para Cristo. A cor da estrela é azul porque essa é a cor associada a celebrações marianas. Nas convenções da heráldica, a estrela matutina é comumente representada com oito pontas, mas aqui a ponta mais inferior foi supressa por uma finalidade estético-formal, para que o espaço fosse melhor preenchido.
A estrela carrega um cristograma de ouro formado pelas letras gregas chi e rho, as duas primeiras iniciais da palavra grega Christós (Χριστός). Isso é uma alusão à maternidade divina de Maria Santíssima. A cor dourada torna essa carga a mais nobre de toda a composição. O chi-rho foi revelado a Constantino em uma visão, quando estava a caminho de uma batalha decisiva na Ponte Mílvia, em 312. Constantino ordenou que o símbolo fosse pintado nos escudos de seus soldados e seu exército venceu. Esse acontecimento também marca o início da conversão oficial de Roma.
O canto ocupa uma porção menor do campo, ou seja, visualmente, há mais branco do que vermelho na composição inteira. Isso representa a máxima de São João Batista em Jo 3, 30: “Importa que ele cresça e que eu diminua”. Em virtude do mesmo princípio, também a cabeça do Precursor está em uma posição baixa, enquanto Cristo ocupa uma posição alta, a mais honrosa, no chefe do escudo. A cabeça de São João é de sua cor, natural, porque o martírio é o exemplo mais realista da abnegação de si. Do mesmo modo, o canto é vermelho porque essa é a cor litúrgica associada ao martírio. São João Batista foi decapitado no ano 27 a mando de Herodes Antipas. Sua cabeça foi entregue a Salomé e Herodias numa bandeja de prata, representada no brasão como um prato do mesmo esmalte.
O canto aponta para a estrela e, consequentemente, para o cristograma, porque a vida do mártir e seu dramático desfecho apontam para o Cristo, a quem ele se configura. Com efeito, a maneira na qual as cargas estão dispostas também parodia o ícone da Transfiguração, com o canto no lugar do Tabor, São João no lugar dos apóstolos, Maria como a luz que emana de Jesus, e o Cristo no lugar de maior destaque.
